Do Olímpo ao Suplício: A Vigorexia, a Pregorexia, a Diabulimia e a Ortorexia Sob a Perspectiva Junguiana
Resumo
Este artigo analisa a vigorexia e as síndromes alimentares emergentes: pregorexia, diabulimia e ortorexia, a partir da perspectiva da psicologia analítica de C. G. Jung. Sendo contextualizada a centralidade do corpo na cultura contemporânea e como as pressões sociais favorecem o surgimento de práticas alimentares ainda não reconhecidas nos manuais diagnósticos. Assim como é apresentada a diferenciação entre síndromes e transtornos, descrevendo as especificidades de cada síndrome e o transtorno dismórfico corporal e suas inter-relações simbólicas, como a busca por ideais corporais, ideais de alimentação, a recusa de limites biológicos e a mediação cultural dos papéis de gênero. A metodologia consistiu em uma revisão narrativa com base em literatura científica e livros, utilizando o método de processamento simbólico arquetípico de Eloísa Penna, sendo articulado os sintomas apresentados, às imagens do mito de Tântalo. A partir disso, cada tópico foi interpretado simbolicamente: a vigorexia como roubo da ambrosia, refletindo a busca por força divina; a pregorexia como o banquete dos deuses, em que a recusa da transformação corporal sacrifica a maternidade; a diabulimia como suplício no Tártaro, representando a autopunição e a vivência da privação; e a ortorexia como caminho ao suplício, em que a obsessão pela pureza alimentar conduz ao sofrimento psíquico. Em conclusão, tais questões alimentares e corporais revelam tensões entre a alimentação, psique, corpo e cultura, exigindo abordagens interdisciplinares. A leitura junguiana e mítica amplia a compreensão clínica, evidenciando busca frustrada pela perfeição, marcada pela insatisfação permanente, tal como Tântalo diante da abundância inalcançável.