O financiamento das Comunidades Terapêuticas no Brasil e os modelos de atenção à saúde mental

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Palavras-chave:

comunidade terapêutica, modelos de assistência à saúde, saúde mental

Resumo

Os movimentos de crítica à lógica asilar, até então hegemônica no campo da saúde mental, datam do período pós-guerra, na década de 1940. As organizações que prestam assistência a indivíduos que enfrentam questões ligadas ao uso, abuso ou dependência de substâncias psicoativas em um contexto residencial são denominadas Comunidades Terapêuticas. Nessas instituições, a interação entre os membros é o método terapêutico fundamental, adotando a abstinência como paradigma. Essas entidades são regulamentadas pela RDC Anvisa nº 29/2011. Esse estudo objetivou discutir o financiamento das Comunidades Terapêuticas e os modelos de atenção em saúde mental no SUS, por meio de uma revisão integrativa, utilizando a base de dados LILACS. Na estratégia de busca, utilizou-se o termo livre “comunidade terapêutica”. Incluíram-se 11 artigos para análise, nos quais foram identificadas duas categorias: modelo biomédico e modelo de atenção psicossocial, sendo esta última a predominante. A maioria dos artigos é datada a partir do ano de 2017, sendo o primeiro deles de 2014. O crescente aporte de recursos destinados a essas comunidades acontece em meio a uma disputa política e ao desmonte da Reforma Psiquiátrica, em prol de um modelo biomédico/proibicionista.

 

 

 

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Publicado

2025-12-23

Como Citar

Hoffmann Rigoni, H., Verna Castro Gondinho, B., & Souza de Almeida, S. (2025). O financiamento das Comunidades Terapêuticas no Brasil e os modelos de atenção à saúde mental. Revista PsicoFAE: Pluralidades Em Saúde Mental, 14(2), 145–159. Recuperado de https://www.revistapsicofae.fae.edu/psico/article/view/538