A EFICÁCIA DA ARTETERAPIA NO TRATAMENTO DE PESSOAS EM SOFRIMENTO PSÍQUICO
Palavras-chave:
arteterapia, eficácia, transtornos mentais gravesResumo
A arteterapia tem sido adotada como estratégia complementar no cuidado em saúde mental, especialmente no contexto da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), que visa substituir o antigo modelo hospitalocêntrico. Este estudo teve como objetivo verificar a eficácia da arteterapia no tratamento de pessoas em sofrimento psíquico, além de discutir seus possíveis benefícios. Utilizou-se como método a revisão integrativa da literatura. Realizou-se uma busca na base de dados PubMed, utilizando os descritores “art therapy” e “serious mental disorders”. Os critérios de seleção foram idioma (português, inglês e espanhol), disponibilidade gratuita do texto completo e período de publicação (últimos cinco anos). Inicialmente, foram identificados 719 artigos e, após a aplicação dos critérios, 17 estudos compuseram a amostra final. Os resultados demonstraram que, embora as evidências ainda sejam limitadas, há relatos de benefícios associados à arteterapia, principalmente quando utilizada como tratamento complementar à farmacoterapia. Dentre esses benefícios, destacam-se melhoria da expressão emocional, redução de sintomas depressivos e ansiosos, fortalecimento da autoestima e maior integração social. Houve uma diversidade de perfis amostrais (transtorno e faixa etária) e de modalidades de arteterapia, o que dificultou a comparação entre os estudos e a generalização dos resultados. Além disso, houve uma carência de estudos com delineamentos que apresentam maior nível de evidência, como os ensaios clínicos do tipo caso-controle. Ademais, nenhum dos estudos analisados era brasileiro, embora a arteterapia seja regulamentada e amplamente utilizada na rede de saúde mental do país, apontando para a necessidade de fortalecer essa prática no âmbito da formação e no campo da pesquisa. Conclui-se que as evidências são insuficientes, pois não há consenso na literatura quanto à eficácia da arteterapia, sendo necessária a realização de estudos com maior rigor metodológico. Melhorar as evidências contribuirá com a inserção qualificada da arteterapia como prática de cuidado nas políticas públicas de saúde mental.
Downloads
Referências
American Art Therapy Association. (s.d.). About art therapy. Recuperado em 17 de Julho de 2025 de https://arttherapy.org/about-art-therapy/
Bernier, A.; Ratcliff, K.; Hilton, C.; Fingerhut, P. & Li, C. (2022). Art interventions for children with autism spectrum disorder: A scoping review. The American Journal of Occupational Therapy 76(5), 1–9. https://doi.org/10.5014/ajot.2022.049320
Bezerra, C. (2022). A importância do centro de atenção psicossocial na saúde mental: uma revisão integrativa (Monografia). Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Graduação em Serviço Social, Natal, RN. Recuperado em 17 de Julho de 2025 de https://repositorio.ufrn.br/items/ed9ecdd8-da05-40c1-ac9e-794f5ec06f40.
Brasil. (2001). Lei nº 10.216, de 06 de abril de 2001: Dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental. Recuperado em 17 de Julho de 2025 de https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/leis_2001/l10216.htm.
Carvalho, I. B. de & Lugão Moraes, M. C. (2022). Música como intervenção terapêutica no acolhimento a usuários psicóticos na saúde mental. Revista Valore, 7, 5-17. https://doi.org/10.22408/reva70202212265-17
Costa, A. C. A. (2022). Implementação de políticas públicas para o tratamento dos problemas de saúde mental decorrentes da pandemia do COVID-19. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, 8(1), 1287-1301. https://doi.org/10.51891/rease.v8i1.3964
Cucca, A.; Rocco, D. A.; Acosta, I., Beheshiti, M.; Berberian, M.; Bertish, H. C. & Ghilardi, M. F. (2021). Parkinsonismo e distúrbios relacionados. Parkinsonism & Related Disorders, 84, 148–154. https://doi.org/10.1016/j.parkreldis.2021.01.013
Haeyen, S. (2019). Strengthening the healthy adult self in art therapy: Using schema therapy as a positive psychological intervention for people diagnosed with personality disorders. Frontiers in Psychology, 10, 1-15. https://doi.org/10.3389/fpsyg.2019.00644
Haeyen, S.; Chakhssi, F., & Van Hooren, S. (2020). Benefits of art therapy in people diagnosed with personality disorders: A quantitative survey. Frontiers in Psychology, 11, 686. https://doi.org/10.3389/fpsyg.2020.00686
Haeyen, S. & Noorthoorn, E. (2021). Validity of the Self‑Expression and Emotion Regulation in Art Therapy Scale (SERATS). PLOS ONE, 16(3), e0248315. https://doi.org/10.1371/journal.pone.0248315
Haeyen, S.; Ziskoven, J.; Heijman, J.; & Joosten, E. (2022). Dealing with opposites as a mechanism of change in art therapy for personality disorders: A mixed methods study. Frontiers in Psychology, 13, 1-15. https://doi.org/10.3389/fpsyg.2022.1025773
Hu, J.; Zhang, J.; Hu, L.; Yu, L.; & Xu, J. (2021). Art therapy: A complementary treatment for mental disorders. Frontiers in Psychology, 12, 1-9. https://doi.org/10.3389/fpsyg.2021.686005
Franco, A. B. (2020). Oficinas terapêuticas de arteterapia em CAPS: Significados construídos pelos participantes [Dissertação de mestrado, Universidade Federal de Goiás]. Repositório da UFG. https://repositorio.bc.ufg.br/tede/items/080e001d-df14-4004-965d-476faeef2875Frazatto, C. F.; & Fernandes, J. C. (2021). Práticas do CAPS I e o desafio da desinstitucionalização. Psicologia Revista, 30(1), 54- 75. https://doi.org/10.23925/2594-3871.2021v30i1p54-75
Katrin, S.; Masuch, J.; Lim, S.; Habboub, B.; & Gorsh, M. (2022). PAINT I: The effect of art therapy in preventing and managing delirium among hospitalized older adults in the PAINT I study — A proof-of-concept trial. European Geriatric Medicine, 13, 1433-1440. https://doi.org/10.1007/s41999-022-00695-5
Kim, D. (2020). The effects of a recollection-based occupational therapy program of Alzheimer’s disease: A randomized controlled trial. Occupational Therapy International, 6305727. https://doi.org/10.1155/2020/6305727
Lee, M.; Choi, H.; Shin, J.; & Suh, H.-S. (2023). The effects of adding art therapy to ongoing antidepressant treatment in moderate-to-severe major depressive disorder: A randomized controlled study. International Journal of Environmental Research and Public Health, 20(1), 91. https://doi.org/10.3390/ijerph20010091
Luo, X.; Zhang, Z.; Zheng, Z.; Ye, Q.; Wang, J.; Wu, Q.; & Huang, G. (2022). Art therapy as an adjuvant treatment for schizophrenia: A protocol for an updated systematic review and subgroup meta-analysis of randomized clinical trials following the PRISMA guidelines. Medicine, 101(4), 1–5. https://doi.org/10.1097/MD.0000000000030935
Martins, A. G. & Barros, D. D. (2021). A inserção das práticas integrativas e complementares na Rede de Atenção Psicossocial no Brasil: Avanços e desafios. Saúde em Debate, 45(128), 912–927. https://doi.org/10.1590/0103-1104202112802
Medeiros, M. T. & Silva, E., M., T. (2021). Benefícios da arteterapia para idosos: uma revisão de Nise à pandemia. Revista Longeviver, 11(3), 22-29. Recuperado em 17 de Julho de 2025 de https://revistalongeviver.com.br/anteriores/index.php/revistaportal/article/view/920/981
Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. Observatório Nacional da Família. (2022). Boletim, Fatos e Números: Saúde Mental. Recuperado em 17 de Julho de 2025 de https://www.gov.br/mdh/pt-br/navegue-por-temas/observatorio-nacional-da-familia/fatos-e-numeros/5.SADEMENTAL28.12.22.pdf
Ministério da Saúde. (2002). Portaria n.º 336, de 19 de fevereiro de 2002. Recuperado em 17 de Julho de 2025 de https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2002/prt0336_19_02_2002.html
Ministério da Saúde. (2011). Portaria nº 3.088, de 23 de dezembro de 2011. Institui a Rede de Atenção Psicossocial no âmbito do SUS. (Publicada em 24 de dezembro de 2011). Recuperado em 17 de Julho de 2025 de https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2011/prt3088_23_12_2011_rep.html
Ministério da Saúde. (2017). Portaria nº 849, de 27 de março de 2017. Inclui a Arteterapia, Ayurveda, Biodança, Dança Circular, Meditação, Musicoterapia, Naturopatia, Osteopatia, Quiropraxia, Reflexoterapia, Reiki, Shantala, Terapia Comunitária Integrativa e Yoga à Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares. Recuperado em 17 de Julho de 2025 de https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2017/prt0849_28_03_2017.html
Nabarrete, L.; M.; de S. & Bastos, P.; R., H.; de O. (2023). A construção é a contextualização das políticas públicas de saúde mental no Brasil. Revista Contemporânea, 3(8), 10181-10202. https://doi.org/10.56083/RCV3N8-014
Oladeji, E. O. Ezeme, C. & Bamigbola, S. (2022). A systematic review of the effect of arts-based interventions on patient care in Nigeria. Cureus, 14(12), e32883. https://doi.org/10.7759/cureus.32883
Organização Pan-Americana da Saúde. (s.d.). Transtornos mentais. Recuperado em 17 de Julho de 2025 de https://www.paho.org/pt/topicos/transtornos-mentais
Popa, L.-C., Manea, M. C., Velcea, D., Șalapa, I., Manea, M., & Ciobanu, A. M. (2021). Impact of Alzheimer’s dementia on caregivers and quality improvement through art and music therapy. Healthcare (Basel), 9(6), 698. https://doi.org/10.3390/healthcare9060698
Quail, Z. M.; Carter, M. M. M.; Wei, A. M.; Li, X. D. & Gershon, S. M. (2020). Management of cognitive decline in Alzheimer's disease using a non-pharmacological intervention program: A case report. Medicine, 99(21), 1-6. https://doi.org/10.1097/MD.0000000000020037
Santos, F. M.; Barbosa H. D. de A.; Santos, C. C. & Alberto, D. P. S. (2020). O Lazer e a Arteterapia como Coadjuvantes no Tratamento da Depressão em Belém-PA. LICERE, 23(3), 485-522. https://doi.org/10.35699/2447-6218.2020.24866
Shukla, A.; Choudhari, S.; Gaidhane, A. & Quazi, S. Z. (2022). Papel da arteterapia na promoção da saúde mental: Uma revisão crítica. Journal of Mental Health Promotion, 12(3), 123–135. https://doi.org/10.7759/cureus.28026
Silva, K. A. da; Dellacrode, V. da C. F.; Galdino, K. C. S.; Sá, L. de O. & Lemos, A. C. M. (2021). Eficácia da Arteterapia como tratamento complementar a depressão em idosos. Research, Society and Development, 10(7), e14010716411, 1-8. http://dx.doi.org/10.33448/rsd-v10i7.16411
Soares Junior, A.; Santos Junior, P. R.P.; Santos, M. C. C.; Silva, P. P. S. & Brito, A. P. B. da S. A arteterapia como possibilidade de intervenção do psicólogo nas políticas públicas de saúde, educação e assistência social. Ciências da Saúde Interdisciplinar, 27(111). https://doi.org/10.5281/zenodo.8361645
Souza, M. T. de; Silva, M. D. da & Carvalho, R. de. (2010). Integrative review: What is it? How to do it?. Einstein, 8(1), 102-106. https://doi.org/10.1590/S1679-45082010RW1134
Sprotte, Y. (2023). Computerized text and voice analysis of patients with chronic schizophrenia in art therapy. Scientific Reports, 13(1), 1–17. https://doi.org/10.1038/s41598-023-43069-y
Stevens, J. ; Butterfield, C. ; Whittington, A. & Holttum, S. (2018). Evaluation of arts-based courses within a UK recovery college for people with mental health challenges. International Journal of Environmental Research and Public Health, 15(6), Article 1170. https://doi.org/10.3390/ijerph15061170
União Brasileira de Associações de Arteterapia. (s.d.). Arteterapia. Recuperado em 17 de Julho de 2025 de https://www.ubaat.com.br/#arteterapia
Vale, C. S.; Ribeiro, A. K. C. M.; Silva, N. S.; Lago, R. R.; & Lago, S. D. (2021). Arteterapia como estratégia de cuidado em saúde mental no âmbito da atenção primária: um relato de experiência. J Manag Prim Health Care, 13, e014, 1-13. https://doi.org/10.14295/jmphc.v13.1162
Wolk, N. & Bat Or, M. (2023). The therapeutic aspects of embroidery in art therapy from the perspective of adolescent girls in a post-hospitalization boarding school. Children (Basel), 10(6), 1084. https://doi.org/10.3390/children10061084
World Health Organization. (2023). What is the evidence on the role of the arts in improving health and well-being? A scoping review. WHO Regional Office for Europe. Recuperado em 17 de Julho de 2025 de https://www.who.int/europe/publications/i/item/9789289054553