Sofrimento psíquico de mulheres que se relacionam com homens dependentes de substâncias psicoativas

Autores

  • Alessandra Souza Universidade do Extremo Sul Catarinense
  • Camila Maffioleti Cavaler Universidade do Extremo Sul de Santa Catarina (UNESC) e Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC/doutoranda) https://orcid.org/0000-0003-2417-8017
  • Larissa de Abreu Queiroz Universidade do Extremo Sul Catarinense,
  • Paola Rodegheri Galeli⁴ Universidade do Extremo Sul Catarinense

Palavras-chave:

Dependência de Substâncias Psicoativas, Mulheres, Casamento, Saúde Mental, substâncias psicoativas, mulheres,, casamento, saúde mental

Resumo

O uso abusivo de substâncias psicoativas é um grave problema de saúde pública e produz sofrimento não apenas ao sujeito, mas à sua família também. Neste trabalho, coloca-se luz sobre os efeitos gerados em mulheres que se mantêm em relacionamento amoroso com homens usuários de substâncias. Estabeleceu-se como objetivo compreender como o relacionamento amoroso com esses homens afeta a saúde mental de suas parceiras. A pesquisa é de abordagem qualitativa, com finalidade descritiva e de campo. Os dados foram obtidos por meio de entrevistas semiestruturadas com relatos de vivências de cinco mulheres da Região Carbonífera de Santa Catarina. Os resultados foram agrupados em cinco categorias: dependência emocional, rede de apoio, maternidade, violência e casamento. A interpretação dos dados se deu a partir da análise categorial temática. As categorias revelam fragilidades, amortecedores e respostas ao permanecimento na relação, sendo possível identificar na narrativa de cada mulher a profundidade de seu sofrimento, com sentimento de culpa e responsabilização, ao ser inserida nessa dinâmica complexa do relacionamento amoroso. Desse modo, torna-se evidente a urgência de políticas e programas que abordem não apenas o uso abusivo, mas também suas ramificações nos âmbitos psicossocial e interpessoal. Somente por meio de uma abordagem integrada e sensível às necessidades específicas dessas mulheres será possível mitigar o sofrimento psíquico, e promover uma maior qualidade de vida e bem-estar a elas.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Camila Maffioleti Cavaler, Universidade do Extremo Sul de Santa Catarina (UNESC) e Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC/doutoranda)

Professora da Universidade do Extremo Sul de Santa Catarina (UNESC). Doutoranda em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina, Mestra em Psicologia pela mesma Universidade. Possui graduação em Psicologia pela UNESC. É membra no Núcleo de Pesquisa Margens: Modos de vida, família e relações de gênero (UFSC) e do Núcleo de Pesquisa em Psicologia Jurídica (UFMG). Estuda a relação entre mononormatividade e feminicídio. No campo da pesquisa, atua em projetos sobre saúde do homem em situação de violência, feminicídio em Santa Catarina e na pesquisa cartográfica com grupos com homens autores de feminicídio nas penitenciárias de Santa Catarina. 

Referências

Alvarez, S. Q., Gomes, G. C., Oliveira, A. M. N. D., & Xavier, D. M. (2012). Grupo de apoio/suporte como estratégia de cuidado: importância para familiares de usuários de drogas. Revista Gaúcha de Enfermagem, 3, 102-108.

American Psychiatric Association. (2000). Diagnostic and statistical manual of mental disorders: DSM-IV-TR (4th ed., text rev.). American Psychiatric Association.

Aragão, A. T. M., Milagres, E., & Figlie, N. B. (2009). Qualidade de vida e desesperança em familiares de dependentes químicos. (Tese de mestrado). Universidade Federal de São Paulo, São Paulo. Recuperado de https://www.scielo.br/j/pusf/a/Pm5vzwL75Tr4SGzQkhgwBKv/

Baldin, N., & Munhoz, E. M. B. (2011). Educação ambiental comunitária: uma experiência com a técnica de pesquisa snowball (bola de neve). REMEA-Revista Eletrônica do Mestrado em Educação Ambiental, 27.

Bardin, L. (2016). Análise de conteúdo. São Paulo: 70.

Behar, R. C. R. (2018). A maternidade e seu impacto nos papéis ocupacionais de primíparas (Trabalho de conclusão de curso). Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa.

Connell, R. W., & Messerschmidt, J. W. (2013). Masculinidade hegemônica: repensando o conceito. Revista Estudos Feministas, 21(01), 241-282. Recuperado em 29 de maio de 2024, de http://educa.fcc.org.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-026x2013000100014&lng=pt&tlng=pt.

Gerhardt, T. E., & Silveira, D. T. (Orgs.). (2009). Métodos de pesquisa. Porto Alegre: Editora de UFRGS.

Gil, A. C. (2002). Como classificar as pesquisas? In Gil. A. C. Como elaborar projetos de pesquisa, pp. 41-56). São Paulo: Atlas.

Gottlieb, L. (2019). Talvez você deva conversar com alguém: uma terapeuta, o terapeuta dela e a vida no limite. Editora Intrínseca.

Henrique, S. A., & Rosa, L. C. dos S. (2018). Análise das relações familiares em contexto de uso abusivo de substâncias psicoativas. Teresina: Sisnepp, UFPI.

Horta, A. et al. (2016). Vivências e estratégias de enfrentamento de familiares de dependentes. Revista Brasileira de Enfermagem REBEn, 69(6), 1024-1030.

Instituto Brasileiro Geografia e Estatistica – IBGE (2023). Diretoria de Pesquisas, Coordenação de População e Indicadores Sociais, Estimativas da população, por cor ou raça. 1º trimestre de 2023. Autor. https://sidra.ibge.gov.br/tabela/6403#resultado.

Maciel, L. D. et al. (2013). Consequências e dificuldades da dependência química no âmbito familiar: uma revisão de literatura. Aps, Ribeirão Preto, 2(16), 187-196.

Maciel, S. C. et al. (2018). Cuidadoras de dependentes químicos: um estudo sobre a sobrecarga familiar. Psicologia: Teoria e Pesquisa, 1(4), 1-10. Recuperado de https://www.scielo.br/j/ptp/a/s5FZP9MQC65jLtpPjhfCVqc/

Monari, C., Silva, J. G., & Righetti, M. C. P. B. (2015). Codependência: um fenômeno relevante (Trabalho de Conclusão de Curso – Graduação em Serviço Social). Universidade Paulista – UNIP, São Paulo.

Oliveira, G. A. de S., Neves, N. P. das, & Santos, R. C. C. dos. (2016). O impacto da dependência química na família. (TCC de Graduação em Psicologia). Centro Universitário Católico Salesiano Auxilium, São Paulo. Recuperado de https://site.mppr.mp.br/sites/hotsites/arquivos_restritos/files/migrados/File/Projeto_Semear/Consultas/O_impacto_da_dependencia_quimica_na_familia.pdf

Pratta, E. M. M., & Santos, M. A. D. (2009). O processo saúde-doença e a dependência química: interfaces e evolução. Psicologia: Teoria e Pesquisa, 25, 203-211.

Ravena, E., & Veras, A. (2021). Contações femininas: gênero e percepções de mulheres dependentes químicas. Saúde e Sociedade, 30(4).

Santos, T. C. dos. (2020). Dependência emocional nos relacionamentos. (TCC de Graduação em Psicologia). Faculdade de Educação e Meio Ambiente, Ariquemes. Recuperado de https://repositorio.unifaema.edu.br/handle/123456789/2748

Souza, J. C. P., Cavalcante, D. R. C., & Figueiredo, S. C. G. (2022). A saúde mental em discussão. Belo Horizonte: Poisson. Recuperado de https://pesquisa.fametro.edu.br/wp-content/uploads/2023/03/Saude_Mental_Discussao_Vol2.pdf#page=80

Souza, P. A. de, & Ros, M. A. da. (2006). Os motivos que mantêm as mulheres vítimas de violência no relacionamento violento. Revista de Ciências Humanas, (40), 509-527.

Vieira, L. B., Cortes, L. F., Padoin, S. M. D. M., Souza, I. E. D. O., Paula, C. C. D., & Terra, M. G. (2014). Abuso de álcool e drogas e violência contra as mulheres: denúncias de vividos. Revista Brasileira de Enfermagem.

Zanello, V. (2018). Saúde mental, gênero e dispositivos: desafios e perspectivas para a integralidade na atenção (1st ed.). Editora Fiocruz.

Yamashita, C. H., et al. (2010). Perfil sociodemográfico de cuidadores familiares de pacientes dependentes atendidos por uma unidade de saúde da família no município de São Paulo. O Mundo da Saúde, 1(34), 20-24. Recuperado de: http://www.saocamilo-sp.br/pdf/mundo_saude/74/02_original_Perfil.pdf

WALKER, Lenore. The Battered Woman. New York: Harper and How, 1979.

Downloads

Publicado

2025-12-23

Como Citar

Souza, A., Maffioleti Cavaler, C., de Abreu Queiroz, L., & Rodegheri Galeli⁴, P. (2025). Sofrimento psíquico de mulheres que se relacionam com homens dependentes de substâncias psicoativas. Revista PsicoFAE: Pluralidades Em Saúde Mental, 14(2), 23–33. Recuperado de https://www.revistapsicofae.fae.edu/psico/article/view/513